Confforte transforma a necessidade de desconectar em tema de “Longe do Sol”

Em uma época em que estar conectado o tempo todo parece quase obrigatório, Confforte propõe justamente o movimento contrário. Em “Longe do Sol”, o cantor, compositor e baixista de Uberlândia transforma a vontade de se afastar do excesso de estímulos em uma canção sobre desacelerar, olhar para dentro e remar contra a corrente.

A faixa, que já está disponível nas plataformas digitais, é a primeira música apresentada do próximo álbum do artista, “Rio Branco”, e começa a revelar o universo que Confforte pretende explorar no novo trabalho.

“Longe do Sol” parte de uma ideia bastante atual: o que acontece quando a gente simplesmente desliga?
A canção fala sobre a importância de ficar offline em meio a uma rotina em que celulares, redes sociais e outras formas de conexão ocupam praticamente todos os espaços. Mas a proposta não é apenas reclamar do excesso de tecnologia. A distância da cidade e da internet aparece como uma oportunidade de desacelerar e fazer uma espécie de autorreflexão.
Por isso, o próprio título funciona como uma metáfora para esse movimento de afastamento.

Uma música sobre remar contra a corrente
Confforte escolheu justamente a Floresta do Lobo, um lugar afastado da cidade, para registrar vídeos relacionados à música. A escolha conversa diretamente com o conceito da faixa: sair do ambiente urbano e buscar um espaço onde seja possível diminuir o ritmo.
Essa ideia de ir na direção contrária também aparece na própria construção artística de Confforte. Cantor, compositor e baixista nascido no Triângulo Mineiro, ele escreve desde os 13 anos e desenvolveu uma composição marcada pela força das imagens e por um olhar bastante literário sobre o cotidiano.

Essa característica já aparecia em seu primeiro EP, “Canção de Minas”, lançado em 2025. O trabalho reúne oito músicas e estabelece um diálogo entre referências da literatura universal e elementos da literatura regional.
Agora, “Longe do Sol” abre uma nova etapa.

Entre folk, literatura e música brasileira
Um dos detalhes que chamam atenção na faixa é a presença da gaita de boca, instrumento utilizado por Confforte como referência aos grandes compositores da música folk norte-americana, como Bob Dylan e Neil Young.
A música também carrega uma referência direta à música brasileira. Em determinado momento, Confforte cita “o coro dos contentes”, verso de “Let’s Play That”, composição de Torquato Neto e Jards Macalé.

É uma escolha que ajuda a situar “Longe do Sol” dentro de um universo que não parece interessado em separar referências nacionais e estrangeiras. O folk, a literatura, a música brasileira e a própria experiência do artista acabam se encontrando na composição.
E existe ainda uma particularidade na história da faixa: “Longe do Sol” foi escrita quando Confforte ainda era adolescente. A música passou anos sendo desenvolvida até encontrar sua forma definitiva, já depois do início de sua trajetória fonográfica.
Por isso, a faixa funciona também como uma espécie de ponte entre o artista que começou a escrever muito jovem e o músico que hoje prepara seu próximo álbum.

O começo de “Rio Branco”
Antes de “Longe do Sol”, Confforte havia apresentado “Canção de Minas”, trabalho que também ganhou versões ao vivo e novas releituras. O artista mantém ainda o projeto “Desplugado”, em que revisita músicas do EP e apresenta novas canções em formato de violão e gaita.
Agora, com “Longe do Sol”, ele começa a deslocar essa trajetória para o universo de “Rio Branco”.

Mais do que apresentar uma nova fase sonora, a faixa estabelece uma ideia que parece central para o projeto: em meio a um mundo cada vez mais acelerado e conectado, às vezes é preciso se afastar para conseguir enxergar melhor o que está acontecendo por dentro.
E talvez seja justamente essa a provocação de Confforte: ficar longe de tudo por um instante para voltar a ouvir a si mesmo.

 

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